quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

POUCAS & BOAS - "Chico Science Enfatizou: Todos Estão Surdos!" - por Tito Oliveira

Por Tito Oliveira - desenho da série Nuances - "Recordações" -
nanquim sobre papel - 30x45cm - 2006 - acervo da Gallery Foundry  - Londres
- Inglaterra 
Costuma-se dizer que o surdo não fala porque não escuta.

Em verdade, a despeito de uma audição insuficiente, um surdo exprime sons, sabemos disso.

Ou não?!

Segundo estudos de médicos especializados no caso, um surdo de elevada eficiência terapêutica, com prática constante, pode desenvolver vocalizações.

Existe também a diferença entre pessoas que nasceram surdas e pessoas que tornaram-se surdas.

Bom, supõe-se que uma pessoa que não escuta por deficiência tem um desafio muito grande para superar seu problema e viver plausivelmente num ambiente social e profissional. O que, na generalidade, torna-o dotado de maior aptidão cognitiva e intelectual.

Por outro lado, existem pessoas que não querem escutar por simples opção.

O que dizer dessas pessoas?

Nada. Presumo.

A única forma de entender uma equação matemática, ou quaisquer assuntos dos quais não possui conhecimento é escutando determinada explicação sobre os mesmos.

Seja através de um orientador verbal, ou por meio de um orientador escrito, programado.

Que somos originários de um país pouco sugestivo quando a questão implica em bom senso já não é novidade alguma.

Porém, antes, havia um critério maior ao se expor, ainda que estivesse restrito apenas à preservação da imagem.

Mas agora nem isso existe!

Emitir uma opinião atualmente nada tem a ver com concisão, veemência, mas com exclusivo estado de interatividade.

Ou, em outras palavras, possuir o famoso traje da melancia na cabeça para que nem míopes passem sem prestar suas atenções.

Quer dizer... Isso é letal!

Em poucos anos a palavra E-L-O-Q-U-Ê-N-C-I-A será extinta do dicionário!

O que será dessas crianças?!

Bom, eu quis dizer, de fato: o que será dos animais com essas crianças na fase adulta?! Foi isso que eu quis dizer.

Um exemplo básico do que tento alertar com este texto:

Estava lá eu mais uma vez à perambular na rede social (uma das desvantagens deste meio é que não tem a oportunidade de estar perante a pessoa que proseia para dizer que não é nada pessoal) e deparei-me com este post:

"Preço cesta basica Brasil, 64,00 reais , salario minimo 670 reais..
Uma cesta Basica similar a essa na Europa é 39,00 reais, o salario minimo aqui é de 3.200 reais.....O que esta acontecendo no Brasil???"

Antes será preciso enfatizar sobre o fato de já terem tentado extinguir filosofia e artes do ensino público... Bom, fizeram com Educação Moral e Cívica determinantemente. Ocaso. Me parece, por uma questão de opção, que história não tem mais sentido!

Comecemos com a lista de salários mínimos pelo globo:

Senegal: R$ 166,76
Moldávia: R$ 200,85
Ucrânia: R$ 200,85

Rússia: R$ 224,44
Belarus: R$ 276,64
Albânia: R$ 455,28
Bulgária: R$ 467,64
Sérvia: R$ 499,45
Kosovo: R$ 518,28
Montenegro: R$ 588,40
Macedônia: R$ 600,76
Peru: R$ 643,36
Colômbia: R$ 685,61
Marrocos: R$ 686,00
China: R$ 767,68
Brasil: R$ 788,00
Chile: R$ 938,92
Hungria: R$ 968,211
Letônia: R$ 975,58

República Tcheca: R$ 1.004,64
Eslováquia: R$ 1.073,14
Estônia: R$ 1.082,29
Polônia: R$ 1.184,40
Croácia: R$ 1.195,58
Turquia: R$ 1.350,01
Argentina: R$ 1.438,85
Portugal: R$ 1.539,59
Taiwan: R$ 1.605,25
Grécia: R$ 1.785,87
Espanha: R$ 1.977,39
Venezuela: R$ 2.036,27
Malta: R$ 2.141,16
Eslovênia: R$ 2.389,14
Chipre: R$ 2.817,00
Andorra: R$ 2.932,85
Áustria: R$ 3.048,70
EUA: R$ 3.297,10
Islândia: R$ 4.063,68
Reino Unido: R$ 4.350,31
França R$ 4.406,53
Germany: R$ 4.491,74
Irlanda: R$ 4.571,01
Holanda: R$ 4.578,54
Bélgica: R$ 4.754,08
Nova Zelândia: R$ 5.044,48
Luxemburgo: R$ 5.856,64
Austrália: R$ 5.991,87

Digamos que seja necessário atualizar a lista, ou contextualizá-la, ou simplesmente reconsiderar a fonte... 

Será que é preciso ser um economista para saber que a densidade econômica de um país é impulsionada pelo PIB - Produto Interno Bruto?! 

Não creio. 

Será que é preciso ser um cientista político para saber que a distribuição de renda de um país necessita ser coesa com sua densidade populacional?! 

Tampem não creio. 

Digamos que, afora a corrupção, a extensão geográfica de um pais, além de seu plano tributário e agrário são fundamentais para melhores preços de uma cesta básica. Ou estaria eu enganado?! 

Muitos dos países citados na lista com salários acima do vigente no Brasil estão em grave crise há anos e poucos podem consumir. 

Equiparar os valores convertendo a moeda em 1=1 é o mesmo que insultar qualquer estudante de economia deliberadamente. 

Ganhar o salário da Austrália no Brasil é mesmo interessante, ainda que nem tanto, porém não seria, assim, tão louvável em Londres ou Paris. 

Argentinos passam fome, pois não conseguem complementar suas cestas básicas por conta de uma moeda falida. 

Espanha e Portugal estão igualmente a um orifício anal no desenho geográfico da Península Ibérica, onde jovens perambulam obrigatoriamente com suas life style consistidas nas filas indianas do lixo de restaurantes, para poder alimentar-sem, ou emigrando rumo ao próprio Brasil, desfazendo-se de seus cursos superiores para servir mesas em restaurantes brasileiros supostamente cafonas. 

Demais exemplos podem ser conferidos por iniciativa própria. Pois a sessão do blog possui POUCAS & BOAS enquanto nome.

Ou seja, o Brasil posiciona-se distante de um exemplo elementar, socialmente falando, no entanto nunca esteve melhor (ainda que o adjetivo MELHOR não possua, em seu contexto, tom adequado). 

Basta entender a relevância da história. 

Para que ele continue avançando, é preciso que você, brasileiro, descubra o quanto antes o que está acontecendo consigo. 

Como sugestão, tenta começar deixando de ser surdo por opção! 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

GALERIA - w o r k i n p r o g r e s s - "Estudos" - por Tito Oliveira

Por Tito Oliveira - estudo para pintura - 
"Retrato De Um Desejo A Esvair-se" - 
caneta esferográfica sobre papel - 
45x23cm - Salvador - Bahia - 2015

CINEMA - c r í t i c a / d i c a - "The Romantics" - por Tito Oliveira

The Romantics é uma daquelas comédias românticas que provam a reinvenção do movie style no período contemporâneo.

Drama, por exemplo, seria mais adequado para defini-lo, na conjuntura.

O título do filme, realizado em 2010, foi traduzido para o Brasil como "O casamento De Meu Ex".

Galt Niederhoffer, ao dirigir o, digamos, irregular longa, em quase toda sua trajetória utiliza uma câmera de ombro com planos fechados para conduzir os diálogos. É a tendência!

Já quando discorre sobre o encontro de sete amigos muito próximos, reunidos para o casamento de dois destes, os planos predominam abertos.

Com bom elenco e trilha sonora sugestiva, o melodrama está concentrado em um caso de amor mal resolvido entre o noivo e uma das damas de honra.

E assim vai contaminando a todos.

A rivalidade entre a noiva e a dama de honra sobre o noivo é de longa data.

O cenário é aquele típico casamento americano, de tradicional perfil até hoje por mim pouco bem apreendido.

Não me é fácil, por exemplo, entender a capacidade que eles, os americanos, têm em suscitar situações constrangedoras ao, um dia antes da cerimônia, reunir discursos embriagados não apenas na quantidade desmedida de álcool que consomem, mas, sobretudo, no recalque perante o suposto bem-estar dos noivos.

Bom, se o casamento já não é, para espíritos excepcionais, atrativo, pensemos então com estas premissas que tentam tirar, dos protagonistas, minímas surpresas?!

Com amigos e familiares convocados à típica casa de praia onde o céu de outono é instável, reza-se para que não chova e que noivos e convidados não chorem tão somente a aparente angustia que rege a ocasião, mas, também, para que toda produção defeituosamente programada não se vá por água abaixo.

Lila (Anna Paquin) e Tom (Josh Duhamel), os noivos, seriam felizes se notassem que algumas coisas na vida devem ser evitadas.

Para os amigos, a observação serve para não desafiar a atração comum nas amizades em meio ao álcool e cocaína, uma vez que não se faz, assim, tão salutar, se não abertamente.

Por conta de seus desafios perante a realidade de emoções alheias, a situação passou de instável à extrema densidade.

Em especial devido ao fato de Lila e sua dama de honra, Laura (Katie Holmes), ressurgirem enquanto dois furacões de lágrimas borbulhantes, movidas estas por um não compreendimento do caso nas mesmas estimulado.

Laura e Tom tiveram um longo romance antes de Lila, todos presentes sabiam e pareciam não conseguir esquecer, já que o clima fúnebre entre os três exalava flores de um velório onde o caixão esperava por um dos três enquanto o futuro póstumo, metaforicamente falando.

Quer dizer, se sabemos que ao mexer numa colmeia de abelha as espantaremos e nos tornaremos vulneráveis às suas letais picadas, por que então assim fazê-lo?!

Logo, seria possível dizer que a imprudência americana, no cinema, não é dada apenas nas ações onde residem releituras de super-heróis, mas numa clara obsessão, situacionista, muitas vezes, sem sentido!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

POUCAS & BOAS - "Liberdade, Liberdade... Abre As Asas Sobre Nós" - por Tito Oliveira

Foto: Tito Oliveira - publicação da Revista De Artes Cênicas -
São Paulo - 2008 
Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha!!!

Esse Brasil é mesmo "divertido"!

A quem diga que em outros países, sobretudo os desenvolvidos, terapia tem como fundamento o diagnóstico, até chegar à cura.

Assim, igualmente, se dá no ensino acadêmico, onde imaginamos formar bons profissionais e/ou pensadores.

Bom, por aqui apreende-se que ambos são mero status.

"Mero", digamos, para nós, "desmiolados", pois para os "lúcidos" o status é imprescindível enquanto qualidade de vida.

Desta forma, tamanha "lucidez", atualmente, suplica por intervenção militar.

Não...

Calma...

Suponho ser melhor conter-sem, senhores "desmiolados", sonhadores.

A tão desejada intervenção militar nada tem a ver com um possível combate à realidade de infinitas contas bancárias distribuídas entre sonegadores, corruptos, traficantes, empresários, banqueiros e ditadores em bancos privados.

Aliás, só louco faria isso!

Em especial, com os traficantes.

Quem iria levar a alva substância até seus aposentos em meio à madrugada?!

E os carregamentos, quem servirá de testa de ferro?! Tu?! Louco!

Antes de continuarmos, é preciso dizer que o "bom costume" não é um feito ineditista brasileiro.

Já que é por meio de bancos legais que os 400 bilhões de dólares movimentados pelo tráfico internacional de drogas, equivalentes a 8% do total do comércio mundial, transitam livremente.

Há!

Só para não esquecer...

A intervenção militar é para a senhora presidente Dilma Rousseff​.

Que, ao contrário dos que pensavam, até então, ter sido Hitler, foi quem idealizou o holocausto na Segunda Guerra Mundial e forçou, com o caos baseado nos tratados filosóficos de Nietzsche, a reorganização da sociedade ocidental!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

POUCAS & BOAS - "O Câmbio De Escamas Mantém O Status Da Cobra" - por Tito Oliveira

Por Tito Oliveira - da série Simbiose - "Parto Biotecnológico" -
latex sore tela - 135x167cm - Acervo da casa_ Museu Solar santo Antônio
 - Salvador - Bahia - 2005
Poucos são os aspectos pejorativos, na condição humana, capazes de me surpreender.

Porém o reacionário é realmente assustador.

Seu traço asqueroso assemelha-se ao de baratas.

Ou estou sendo injusto...

Com as baratas?!

É possível dizer, aliás, que uma das causas no desastre da campanha presidencial com a candidata Marina Silva se deu em sua inteligência daltônica, que a fez confundir verde com azul para acabar como uma laranja de ponto passado, não adequado à degustação.

No curto período em que transitei visitando a Escola de Teatro da UFBA - Universidade Federal da Bahia -, em Salvador, acabei por cruzar; ainda como um garoto de olhos arregalados e estimulados por uma curiosidade que a mim rege até então, com uma espécie de sessentão emblema do meio cênico soteropolitano.

Confesso que até hoje não compreendi bem o motivo de demasiada idolatria.

Este era entusiasta da política de Esquerda brasileira.

Um anti-carlista nato.

Estava eu à perambular no feed de noticias da rede social, e me dei conta de que este mesmo "senhor", e não Sir; como costumam chamar os elfos a quem estimam, no momento é colunista do Correio da Bahia, escrevendo em prol da depreciação do PT e enaltecendo uma Direita falida, neurótica, no jornal da família Magalhães, que, ao contrário do que este defendia, sempre foi entusiasta da eterna navegação do navio negreiro, bem como da segregação que separa a elite da plebe.

Mas, devo admitir que, por assim manterem-se até os dias atuais, os membros da "boa" família, digo, fizeram-se mais dignos do que o suposto artista subversivo, pois possuem a "dignidade" de um império salafrário, mas declarado.

Já o artista, é como uma espécie de réptil míope, que troca de escamas sempre que a que o veste não lhe serve mais.

Eu até compreendo alguém que, no passado acadêmico, refratário à exploração e elitismo da póstuma direita, não encontre-se satisfeito com a então Esquerda brasileira.

No entanto, comer num prato que sustentou sua saliva apodrecida não pode ser estratégia, mas desespero, burrice.

Como diria os mais sábios soldados em um campo de batalha: antes um inimigo declarado a um "amigo" oculto e tomado por insegurança.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

GALERIA - f o t o g r a f i a - "Verão Em Salvador 2015", parte IV - por Tito Oliveira





CINEMA - c r í t i c a / d i c a - Férias Frustradas De Verão" - por Tito Oliveira

Cinematografia tipicamente americana? Questionável? Claro que sim, já que é TIPICAMENTE americana!

Porém de texto e roteiro demasiados maduros que, por assim ser, prestam-se a inteligente extravagância de não levar-sem tão a sério.

"Adventureland" é um filme de 2009, com título traduzido para o Brasil como "Férias Frustradas De Verão".

Escrito e dirigido por Grag Mottola, o drama/romance/comédia habita a New York no fim dos 80' e narra a fase de James Brennan (Jesse Eisenberg), que após graduar-se na universidade tenta mudar-se para o recinto da liberdade americana, de tradicionais táxis amarelos e metrôs multiculturais.

Para isso, precisa de dinheiro e submete-se a um emprego nada comum em sua vida.

Antes, falar sobre algumas curiosidades do filme pode enaltecer seus "questionáveis" desdobramentos ao conceber esta boa forma de fazer cinema.

O filme se passa no verão e alguns homens foram contratados para remover e esconder a queda de neve acumulada durante as filmagens, porque assim fora rodado pouco tempo antes do inverno.

Em algumas cenas internas, extras foram pagos para bloquear as janelas e portas, evitando que a queda de neve se fizesse visível na câmera.

Nas primeiras versões do roteiro, o músico estimado por James e muitos dos personagens que o cerca era Neil Young.

Originalmente estava escrito que Connell (Ryan Reynolds) tinha jogado ao lado de Young e foi idolatrado pelos personagens.

Logo este foi substituído por Lou Reed, o falecido vocalista do The Velvet Underground.

Que rege uma das cenas mais belas do longa.

Quando, em uma carona, a paixão toma, surpreendentemente, o aventureiro vulnerável aos encantos de uma doce e escorregadia fêmea com aroma de prazer, e dor.

O presidente Ronald Reagan é visto na televisão fazendo um discurso.

Este foi dado em 12 de Agosto de 1987, mas no filme ocorre antes de 04 de julho.

A fotografia nada diz, por outro lado, a trilha sonora canta e toca com voz e acordes de anjos e demônios entrelaçados.

Mas nada disso tem relevância quando, em 1987, os sonhos de James Brennan em ir num verão para uma turnê européia antes de estudar em uma escola da Ivy League, em Nova York, estão em ruínas depois que seus pais têm um revés grave em suas carreiras e não podem auxiliá-lo financeiramente.

Enquanto consequência deste suposto ocaso social de sua família, James obtém um emprego de verão temporário para cobrir suas despesas futuras no decrépito parque de diversões local, de nome Adventureland , onde se apaixona por uma colega de trabalho, a bela e espirituosa Emily Lewin (Kristen Stewart).

Também num local de trabalho decadente e sombrio, ambos têm experiências inesquecíveis e dolorosas, de aprendizagem sobre a vida, o amor e, mais sugestivo: a confiança.

Ao ansiar desbravar uma Europa repleta de hedonismo, numa estação que exala diversão, James, sem dar-se conta, troca, com digno sacrifício, seus sonhos pela descoberta de seus mais sinceros valores.

Bom filme!