quinta-feira, 7 de maio de 2015

GALERIA - p i n t u r a - por Tito Oliveira

Pintura da série A Cor Na Bahia Revela O Recinto Pitoresco - “Enxuga-me A Pureza” - mista sobre papel -
96x100cm - Salvador - Bahia - 2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

CINEMA - c r í t i c a / d i c a - "Great Expectations" - por Tito Oliveira

Em meio à modernização dos 90', o diretor Alfonso Cuarón nos traz a clássica história onde encontramos o artista infeliz pintando a amargura sob às luzes de New York.

Uma das sagas do personagem se dá na perseguição de um amor não correspondido em sua infância.

Baseado no conto atemporal de Charles Dickens, esta é uma história de amor que envolve um homem angustiado e uma mulher inacessível.

Transposto aos dias contemporâneos, o enredo se desdobra na realidade do artista com origem modesta, que apaixona-se por uma moça de educação aristocrata.

Mas quando um misterioso benfeitor surge, os sonhos deste homem emergem do imaginário consciente e sua conquista toma forma adequada.

Não li o conto, que traduzido para o português é semelhante a "Grandes Esperanças", mas posso afirmar que o clássico longa em questão é provido dos ares mais sugestivos.

A ressalva é sobre não ser este um bom filme, decorado com o crachá que o identifica num remake literário com sabor de queijo amarelo. Pois em minha apreensão, e dentro do que pesquisei, trata-se de uma vaga referência ao livro de Dickens. Logo, apenas uma adaptação.

A qualidade dos diálogos é irretocável.

O ator Ethan Hawk passeia como um maestro flutuante no corpo de seu personagem.

Gwyneth Paltrow, além de bela e refinada, deslumbra seus estimadores com um desempenho que, de tão rico, beira a imperfeição.

De Niro está mais discreto, porém não menos contagiante. Praxe.

Anne Bancroft assusta nos convencendo em seu posto.

Hank Azaria e Chris Cooper jogam com as almas lavadas na cerca dos coadjuvantes.

Não haveria outra forma de ser com a formação de um elenco tomado em sagacidade.

A fotografia é tecnicamente regular.

Seu teor emana admiração e mistério, uma vez estando alicerçado aos desdobramentos de definições tecnicistas.

É uma obra de arte.

Não há linhas fragmentadas, sua trajetória é claramente conduzida com beleza e honestidade.

A direção explorou todas as carcterísticas com demasiada coesão.

Acrescentando pinceladas peculiares e mostrando um filme moderno, de espírito pré-definido ao clássico.

A música regeu intensificando as situações, quando e onde interviu deu-se com muita fluidez e complemento.

Esta era quase tão importante quanto a atuação dos atores. Já que mais parecia ser a dependência entre ambos fatalística caso exposta ao declínio.

Assim como a boa partitura musical, o filme faz usufruto das notas enquanto elemento de adorno e/ou fio condutor para as performances em cena.

Aqui constitui o discurso sobre um dos poucos filmes que exprime conexão sanguinária com sua trilha sonora.

Bonito aos olhos, ouvidos, coração e consciência.

Bom filme!

terça-feira, 28 de abril de 2015

GALERIA - p i n t u r a - por Tito Oliveira

Da série A Cor Na Bahia Revela O Recinto Pitoresco - “Lânguida Cavalgadura” - mista sobre papel - 
80x100cm - Salvador - Bahia - 2015 

domingo, 26 de abril de 2015

POUCAS & BOAS - "A Outra Face Da Cordialidade Baiana" - por Tito Oliveira

Por Tito Oliveira -
estudo para pintura da série A Cor Na Bahia Revela Um Recinto Pitoresco -
"Contra Curso" - carvão sobre papel - 60x80cm- Salvador - Bahia - 2015
Numa reunião social, o mínimo assalariado porta um telefone celular que custa cinco vezes o que fatura num mês (santa inteligência!) e, com o desesperado desejo de conquistar a Moça, tenta desdenhar de quem a acompanha usufruindo do deselegante hábito em chamar aquele que mal conhece de playboy.

Logo, assim foi atendido o seu chamado:

--- Olá?! Playboy não sou, já que possuo nome e trabalho digna e plausivelmente para manter o que vivo e desfruto. Por outro lado, o contexto que o envolve enuncia quem, entre nós, ostenta lamentável posto (lamentável ao menos aos salvos da ignorância). Risível!

Este não entendeu, e exclamou:

--- "Quê"?!

Então complementei:

--- Bom seria clamar por um salva-vidas, para que o resgate do mar de insegurança onde estás prestes a afogar-se, senhor Enfadonho!

Daí a Moça agarrou-se em meu braço, despediu-se do "amigo agradável" e protegeu-me de demais dissabores.

CONCLUSÃO

Relacionar-se socialmente por aqui assemelha-se a currais, onde animais relincham por espaço ao recepcionar um novo ocupante.

Quer dizer, talvez eu esteja sendo injusto com os quadrúpedes, que insinuam-se mais civilizados.

Ou, talvez, deva eu comunicar-me emitindo "brother´s", "véis' ou "parceiros", para ser aceito na roda dos horrores.

Melhor pensando, se eles conseguiram assassinar o rock and roll com a ramificação repetida e ensimesmada de suas tribos, imagina então o que fariam com minha sombra?!

Não. Melhor não.

GALERIA - f o t o / i n s t a l a ç ã o - por Tito Oliveira

Foto-instalação da série Influência Indireta - “Quase Aos Pedaços” - pigmento e colagem sobre alimento perecível - dimensões variáveis - Salvador - Bahia - 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

CINEMA - c r í ti c a / d i c a - "Half Nelson" - por Tito Oliveira

Dirigido por Ryan Fleck, "Half Nelson", 2006, habita uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos para narrar a vida do professor de uma escola secundária que sofre com o vício nas drogas.

Este acaba por constituir uma improvável amizade com uma aluna, depois que ela descobre seu segredo.

Dan Dunne (Ryan Gosling) é um jovem europeu e ensina história, além de treinar a equipe de basquetebol feminino na Brooklyn High School, frequentada principalmente por estudantes negros e hispânicos .

Para o dissabor de seus superiores, Dan tem um currículo delineado em fatos históricos e a favor da filosofia, discutindo geralmente o conceito da dialética.

Como tal, captura a imaginação de seus alunos, ao menos na sala de aula.

Fora da escola a vida de Dan está caótica.

Ele tem uma relação distante, mas cordial com sua família.

Usa drogas ilícitas desenfreadamente.

Apesar de sua ex-namorada Rachel tentar limpar seu sangue do vício, Dan acredita que a reabilitação não vai adiantar para ele.

Devido a uma combinação dessas questões, ele trata mal as mulheres.

Com treze anos, Drey (Shareeka Epps) é estudante em sua classe e jogadora em sua equipe de basquetebol.

Drey tem seus próprios problemas.

Seus pais são divorciados.

Como o pai é praticamente inexistente em sua vida, e sua mãe encontra-se geralmente ausente, ela acaba afeiçoando-se com o dilema do professor.

O filme tem estética singela, com câmera de ombro e fotografia pouco sugestiva.

Porém de profunda densidade, com performances boas e espontâneas por parte dos atores, em especial a do protagonista Ryan Gosling, que já não precisa provar nada atuando no cinema.

Sua discussão, contudo, reflete que qualquer um que tenha sofrido com o vício em suas vidas, seja o próprio ou o de alguém próximo, se encontrará em alguma passagem do longa e não se sentirá só.

A obra não lida com os motivos que leva ao vício ou à recuperação, mas sobre a experiência em crua realidade.

Ainda que o espectador não tenha passado por isso em sua vida, a história o sensibiliza a ponto de aproximá-lo de ações mais altruístas, quando enfrentando esse traço em alguém, seja esse alguém próximo ou não.

Ryan Gosling, uma vez mais ressalto, veste com categoria o caráter de uma boa pessoa que se perdeu nas drogas.

Em uma das performances, onde aparece tragando um cigarro de crack, se faz digno de aplausos.

O diálogo no filme não é pretensioso, ou assumido numa despretensão demasiada.

O que o torna envolvente.

Assim, com equilíbrio e espontaneamente, a história se desenrola e nos bem oferenda com sua encorpada concepção.

Bom filme!

Pode ser visto AQUI